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Investir em moeda forte do Brasil

Carry trade: como juros altos atraem dinheiro e o que acontece quando ele sai

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe1 min de leitura
Painel digital com cotações de câmbio de dólar, euro e libra

Tomar dinheiro onde os juros são baixos e aplicar onde são altos move bilhões e pode abalar o câmbio. Veja como funciona.

Quando se pergunta por que o real se valoriza em certos períodos mesmo com problemas na economia, uma das respostas é o carry trade. A estratégia move grandes volumes de capital entre países e influencia as taxas de câmbio, às vezes por anos, e a saída desse capital pode ser rápida e dolorosa.

A resposta direta é: carry trade é a operação em que o investidor se endivida em uma moeda com juros baixos, converte o dinheiro para uma moeda com juros altos e aplica em ativos dessa segunda moeda, ganhando a diferença entre as taxas. Funciona enquanto o câmbio permanece estável ou a favor, mas pode gerar grandes perdas se a moeda de destino se desvaloriza.

Para entender a ligação entre juros e câmbio no Brasil, veja como a Selic influencia o euro.

Como funciona o carry trade passo a passo

Imagine um investidor que toma emprestado em uma moeda com juros próximos de zero, como o iene japonês durante muitos anos. Ele converte esse dinheiro em reais e aplica em títulos que pagam juros altos. No vencimento, converte de volta e paga o empréstimo.

O lucro vem da diferença entre os juros recebidos e os pagos, o chamado carrego. O risco está no câmbio: se o real se desvalorizar mais do que o diferencial de juros, o investidor perde.

A estratégia tem versões sofisticadas, com derivativos e alavancagem, e versões simples, em que fundos e bancos aplicam parte da carteira em moedas de alto rendimento.

Por que o Brasil é um destino frequente

O Brasil costuma ter uma das taxas de juros reais mais altas entre as grandes economias, o que torna o real uma das moedas mais usadas em operações de carry. Quando o diferencial entre os juros brasileiros e os de países desenvolvidos é grande, aumenta o interesse do capital externo.

Horizonte de Frankfurt ao entardecer com arranha-céus
Decisões de juros em centros financeiros globais influenciam o fluxo de capital para o Brasil.

O fluxo de entrada de dólares tende a valorizar o real, o que reforça o ganho de quem entrou. Já a mudança de expectativa sobre os juros no Brasil ou nos Estados Unidos pode reduzir o apetite e trazer volatilidade.

Por isso, decisões do Copom e do Fed são acompanhadas de perto por quem opera nesse mercado. Veja também como o risco Brasil impacta o euro e o real.

O que acontece quando o carry trade é desfeito

Quando as condições mudam, os investidores precisam vender os ativos, converter a moeda de volta e pagar o empréstimo. Essa corrida pode acontecer ao mesmo tempo, e o movimento de venda amplifica a queda da moeda de destino.

Um exemplo foi o início de agosto de 2024, quando a alta de juros no Japão e dados mais fracos nos EUA provocaram uma forte valorização do iene e perdas em operações financiadas na moeda japonesa, com reflexos nos mercados globais.

No Brasil, movimentos de saída costumam coincidir com aumento de aversão ao risco, notícias fiscais ou mudança nas expectativas de juros, o que pressiona o dólar.

Como observar o carry trade como investidor comum

Alguns sinais ajudam a ler o ambiente: o diferencial de juros entre Brasil e EUA, a volatilidade do mercado global (como o índice VIX) e os dados semanais de fluxo cambial divulgados pelo Banco Central.

Um diferencial alto e volatilidade baixa favorecem a entrada de capital; um diferencial menor e volatilidade alta, o contrário. Isso não é uma previsão, mas ajuda a entender por que o câmbio se move sem uma notícia clara.

Para quem tem despesas ou patrimônio em moeda estrangeira, a lição é não depender de um câmbio artificialmente baixo. Vale ler dólar como reserva x renda fixa atrelada à inflação.

Riscos e cuidados

O principal risco é a reversão rápida: a moeda pode cair mais em dias do que o carrego rendeu em meses. Operações alavancadas aumentam o risco, porque a perda é multiplicada.

O investidor pessoa física raramente faz carry trade de forma direta, mas pode estar exposto indiretamente por meio de fundos e de ativos locais que dependem do fluxo estrangeiro.

Um bom hábito é diversificar a exposição cambial e manter uma parte do patrimônio em moeda forte como proteção, sem tentar adivinhar o fim do ciclo. Detalhes sobre proteção estão em ouro ou dólar: quando usar o metal na proteção cambial.

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Perguntas frequentes

O que é carry trade?

É a estratégia de tomar dinheiro em uma moeda de juros baixos e aplicar em outra de juros altos, ganhando a diferença entre as taxas.

Por que o real é muito usado em carry trade?

Porque o Brasil costuma ter juros reais altos em comparação com economias desenvolvidas, o que atrai capital externo em busca de rendimento.

Qual o principal risco do carry trade?

A desvalorização da moeda de destino, que pode apagar em pouco tempo o ganho obtido com a diferença de juros.

O que acontece quando o carry trade é desfeito?

Investidores vendem ativos e convertem a moeda de volta ao mesmo tempo, o que pressiona o câmbio e aumenta a volatilidade.

Pessoa física faz carry trade?

Raramente de forma direta, mas pode ter exposição indireta por meio de fundos e ativos que dependem do fluxo de capital estrangeiro.

Sobre quem escreveu

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Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Hoje Euro

A redação do Hoje Euro analisa tendências do mercado de euro, dólar, macroeconomia e outras moedas.

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