Investimentos em euro

Como Investir na Europa Morando no Brasil: Guia Prático

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe2 min de leitura
Pessoa utilizando laptop para analisar gráficos do mercado financeiro europeu ao lado de notas de euro e passaporte.

Descubra as principais formas de investir no mercado europeu diretamente do Brasil, os custos operacionais envolvidos e as regras fiscais vigentes.

Se você mora no Brasil e deseja diversificar sua carteira de investimentos acumulando ativos em euro, o mercado europeu oferece diversas alternativas de renda variável, fundos e títulos públicos. A busca por proteger o patrimônio contra a desvalorização cambial do real e ter exposição a empresas multinacionais consolidadas na zona do euro é uma estratégia muito procurada tanto por quem planeja viver na Europa quanto por quem busca diversificação geográfica.

A aplicação em ativos europeus por residentes no Brasil ocorre fundamentalmente por meio de duas vias: a abertura de conta em corretoras e bancos no exterior que aceitem investidores não residentes, ou a compra de produtos financeiros negociados na própria bolsa de valores brasileira que possuem exposição à economia europeia.

No modelo de acesso direto, a operação começa na transferência de dinheiro do Brasil para uma instituição financeira sediada no exterior. Nessa etapa, os recursos em reais passam por uma operação de câmbio que envolve a cobrança do spread cambial — que é a diferença entre o custo de captação da moeda e o preço cobrado pela corretora ou instituição de pagamento — e a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Uma vez liquidadas as ordens na moeda estrangeira, o investidor utiliza o saldo para adquirir títulos e participações nas bolsas locais. Compreender o custo do câmbio é fundamental antes de enviar ordens, como demonstrado em euro comercial ou turismo: qual a diferença?.

Por outro lado, o investimento indireto é realizado diretamente por plataformas de investimento sediadas no Brasil, sem a necessidade de remessa internacional ou abertura de conta no exterior. Nesse modelo, a exposição ao mercado europeu ocorre através de recibos de ações internacionais, fundos de índice e fundos multimercado cambiais.

O processo de manutenção de ativos no exterior também exige atenção quanto ao registro e reporte das informações patrimoniais no Brasil. Dividendos e rendimentos pagos por empresas ou fundos europeus são tributados no Brasil e exigem a apuração pelo sistema Carnê-Leão no portal e-CAC da Receita Federal. O valor mantido no exterior deve ser informado na declaração anual de ajuste anual do Imposto de Renda no programa Meu Imposto de Renda. Na apuração de dividendos e do ganho de capital em moeda estrangeira, a conversão para reais deve seguir o parâmetro cambial oficial estabelecido pelas autoridades financeiras. Para conferir como esse índice de referência é calculado diariamente pelo órgão regulador, veja o que é a PTAX do euro?.

Quando os valores mantidos fora do país excedem o patamar fixado pelo Banco Central, é necessário entregar a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (DCBE) diretamente no sistema da autoridade monetária.

Abertura de conta em corretoras estrangeiras para acesso direto ao mercado

A abertura de conta em corretoras sediadas na Europa ou em instituições financeiras globais possibilita o acesso direto às bolsas do continente, como a Euronext, a Bolsa de Frankfurt e a Bolsa de Londres. Para iniciar o processo sendo residente no Brasil, o investidor deve apresentar documentos de identificação como passaporte ou carteira de identidade, comprovante de residência atualizado no Brasil e dados de comprovação de renda. Algumas instituições operam sob licenças regulatórias de países da União Europeia, enquanto outras são sediadas em jurisdições globais com acesso universal aos mercados europeus.

Após a aprovação do cadastro, o envio de recursos para a corretora estrangeira é feito por transferência bancária internacional. Cada conta mantida no sistema bancário europeu possui um código IBAN (International Bank Account Number), que identifica de forma única a conta do beneficiário. No caso de transferências entre países que utilizam o euro dentro do Espaço Econômico Europeu, as transações costumam ser processadas pelo sistema SEPA (Single Euro Payments Area), o que garante liquidação rápida e custos operacionais reduzidos. Ao receber o montante na moeda europeia, o investidor adquire autonomia para comprar e vender ações, fundos negociados em bolsa e títulos de dívida europeus. É essencial verificar os custos de manutenção da conta, as taxas de corretagem por ordem executada e eventuais tarifas de inatividade cobradas pela instituição estrangeira escolhida.

Investimento indireto no mercado europeu através da bolsa brasileira

Para quem deseja ter exposição aos mercados europeus sem a necessidade de remeter recursos para fora do país, a bolsa de valores brasileira disponibiliza instrumentos financeiros vinculados a ativos internacionais. Os Depositary Receipts negociados no Brasil representam certificados de ações de empresas estrangeiras emitidos e custodiados por instituições financeiras locais. Ao adquirir esses certificados na B3, o investidor passa a ter variação patrimonial associada ao desempenho das ações de grandes multinacionais europeias e às oscilações da cotação do euro frente ao real.

Outra modalidade de investimento indireto é a aplicação em fundos de índice negociados no mercado nacional que acompanham indicadores do mercado europeu. Esses fundos replicam a carteira de índices consolidados e permitem diversificação instantânea em dezenas de empresas da zona do euro em uma única transação executada na moeda brasileira. Além dos fundos negociados em bolsa, existem fundos de investimento cambiais e fundos multimercado internacionais geridos por corretoras brasileiras, que aplicam em ativos no exterior de forma terceirizada. Nesses casos, a cobrança de taxa de administração e a incidência da taxa de performance devem ser analisadas pelo investidor, pois impactam o rendimento líquido do investimento ao longo do tempo em comparação com a compra direta de ativos.

Tributação sobre rendimentos e ganhos de capital gerados no exterior

Os rendimentos gerados por investimentos mantidos fora do país, como dividendos pagos por empresas europeias ou juros de títulos públicos, estão sujeitos às regras de tributação vigentes para residentes fiscais no Brasil. Quando uma empresa sediada na zona do euro distribui lucros aos acionistas, pode haver retenção na fonte pelo governo local do país de origem da empresa. Para evitar a dupla tributação, o Brasil mantém acordos internacionais e reciprocidade de tratamento tributário com diversos países europeus, permitindo que o imposto retido no exterior seja compensado na apuração efetuada no Brasil, respeitadas as condições legais.

O recolhimento do imposto referente aos rendimentos recebidos de fontes no exterior deve ser apurado mensalmente por meio do carnê-leão no portal e-CAC da Receita Federal. Já no caso da venda de ativos com lucro, configura-se o ganho de capital, cuja tributação deve ser apurada considerando a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição do ativo. Em ambos os casos, a conversão dos montantes expressos em euro para a moeda nacional exige a utilização do valor da cotação de compra da moeda divulgada pelo Banco Central, referente ao dia do recebimento ou da alienação. O não pagamento do tributo dentro do prazo regulamentar acarreta a incidência de juros de mora e multa calculados pela autoridade fiscal.

Obrigações acessórias na declaração anual do Imposto de Renda e Banco Central

Todo residente no Brasil que possui ativos financeiros na Europa deve informar essas posições na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física. A declaração é realizada no programa oficial do Imposto de Renda ou no aplicativo Meu Imposto de Renda. Na ficha de Bens e Direitos, o contribuinte discrimina o saldo da conta corrente, a quantidade de ações, cotas de fundos e títulos mantidos fora do país. É fundamental informar o custo de aquisição em reais e detalhar a instituição financeira em que os recursos estão custodiados, além dos códigos internacionais como o IBAN.

Além da declaração anual à Receita Federal, o investidor deve acompanhar os critérios de obrigatoriedade do Banco Central para a entrega da Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (DCBE). Esse reporte é uma obrigação regulatória independente do Imposto de Renda, voltada ao acompanhamento estatístico do patrimônio de residentes brasileiros mantido fora do país. A DCBE é preenchida no sistema próprio do Banco Central, exigindo o detalhamento do valor de mercado dos ativos em moeda estrangeira no encerramento de cada período de apuração. Caso surjam dúvidas complexas sobre compensação tributária internacional ou preenchimento de posições consolidadas, a orientação de um contador ou advogado tributarista garante a conformidade com as exigências legais.

Imagens

A minimalist image of a 2 euro coin with reflection on a sleek surface.
Foto: Ivan Vi no Pexels

Perguntas frequentes

Preciso declarar investimento na Europa no Imposto de Renda mesmo sem vender os ativos?

Sim. Todo bem ou saldo mantido no exterior deve ser discriminado na ficha de Bens e Direitos do programa do Imposto de Renda ou no aplicativo Meu Imposto de Renda. Você deve informar o saldo da conta corrente e o custo de aquisição dos ativos em reais na data da compra.

O que acontece se a empresa europeia reter imposto sobre dividendos na fonte?

O Brasil possui acordos de reciprocidade tributária com diversos países da Europa que permitem compensar o imposto retido no exterior. O valor pago lá fora deve ser informado na apuração do Carnê-Leão no portal e-CAC da Receita Federal para abater o imposto devido no Brasil.

Como transfiro euros de uma corretora na Europa de volta para minha conta no Brasil?

Você realiza uma ordem de transferência internacional na corretora europeia informando os dados da sua conta bancária no Brasil. A transação é liquidada em reais na sua conta brasileira após a conversão cambial com incidência de spread e IOF.

Posso usar o sistema SEPA para transferir dinheiro entre corretoras europeias?

Sim. O sistema SEPA é a rede europeia de pagamentos utilizada para transferências em euros entre contas situadas no Espaço Econômico Europeu. Ao utilizar o código IBAN da sua conta de investimentos, a liquidação costuma ocorrer em prazos curtos.

Qual é a diferença entre investir via BDR na B3 e abrir conta em corretora europeia?

O investimento via BDR é feito diretamente na bolsa brasileira na moeda nacional, sem remessa de dinheiro para o exterior. Já a abertura de conta em corretora estrangeira permite comprar ativos originais negociados em euro nas bolsas locais, exigindo operação de câmbio.

Qual canal oficial uso para conferir a cotação do euro no cálculo do Imposto de Renda?

A cotação oficial para conversão de valores exigida pela Receita Federal é a taxa PTAX divulgada diariamente pelo Banco Central. As cotações da PTAX de compra e venda podem ser consultadas no sistema de busca do Banco Central.

Sobre quem escreveu

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Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Hoje Euro

A redação do Hoje Euro analisa tendências do mercado de euro, dólar, macroeconomia e outras moedas.

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