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Criptomoedas como proteção cambial: dólar, ouro e riscos

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe1 min de leitura
Moeda de Bitcoin prateada em pé sobre fundo branco

Bitcoin é chamado de ouro digital, mas se comporta de forma bem diferente. Veja o que ele pode e não pode fazer como proteção cambial.

Em períodos de desvalorização do real, é comum ouvir que o Bitcoin é uma forma de proteção, o chamado ouro digital. A ideia é atraente, mas a realidade é mais complicada: criptomoedas têm características bem diferentes de moedas e de metais preciosos, e o comportamento durante crises nem sempre confirma a promessa.

A resposta direta é: criptomoedas não são uma proteção cambial confiável. O Bitcoin tem volatilidade muito maior do que o dólar e o ouro, correlação variável com ativos de risco, e riscos de custódia, regulação e segurança. O dólar protege diretamente contra a queda do real, e o ouro tem histórico milenar como reserva de valor. Se cripto entrar na carteira, deve ser uma fatia pequena, de caráter especulativo.

O que é proteção cambial e o que ela exige

Proteger-se do câmbio significa manter parte do patrimônio em um ativo que preserva ou aumenta o valor em reais quando o real se desvaloriza. Para isso, o ativo precisa ser estável em sua própria moeda, líquido e confiável.

O dólar cumpre bem esse papel, porque se move de forma inversa ao real na maior parte do tempo, tem liquidez enorme e é aceito em todo lugar. O ouro também se valoriza em dólar em momentos de incerteza e não depende de nenhum governo.

Um ativo que sobe e desce de forma imprevisível, mesmo em dólar, não oferece essa estabilidade. A proteção depende de previsibilidade relativa.

Bitcoin e outras criptomoedas: o que a história mostra

O Bitcoin tem oferta limitada e não depende de bancos centrais, o que alimenta o argumento de que protege contra a perda de valor das moedas. Em alguns períodos, ele subiu muito em meio a medidas de estímulo e a incertezas.

Dedo apontando para um gráfico de preço do Bitcoin em uma tela de negociação
A volatilidade do Bitcoin é muito maior que a do dólar e a do ouro.

Mas o histórico também mostra quedas enormes. Entre o pico do fim de 2021 e o fundo de 2022, o Bitcoin perdeu mais de 70% do valor em dólar. Uma queda dessa magnitude é incompatível com a ideia de reserva de valor estável.

Além disso, a correlação do Bitcoin com ações de tecnologia e com ativos de risco já foi alta em momentos de estresse, ou seja, ele caiu junto quando o mercado caiu, quando se esperava proteção.

Comparação com dólar e ouro

A volatilidade é a diferença mais evidente: o dólar varia poucos pontos percentuais por mês frente a outras moedas fortes, o ouro varia moderadamente, e o Bitcoin pode oscilar dezenas de pontos percentuais em semanas.

A liquidez e a aceitação também diferem. O dólar é aceito em todo o mundo e em qualquer volume, o ouro tem mercado profundo, e o mercado de cripto é fragmentado, com menor liquidez em momentos de pânico.

Os riscos operacionais variam: o dólar em banco regulado tem proteções, o ouro físico exige guarda segura, e cripto envolve corretoras, carteiras, chaves privadas e risco de fraudes e ataques.

Stablecoins: uma categoria à parte

Stablecoins são criptomoedas atreladas ao dólar, que buscam manter o valor de 1 dólar. Elas permitem ter exposição ao dólar em ambiente digital, e por isso muita gente as usa como forma de proteção cambial e de transferência.

Seus riscos são outros: a confiabilidade do emissor, a qualidade das reservas que lastreiam a moeda, o risco de perder a paridade com o dólar em momentos de crise e a regulação. Não são equivalentes a uma conta bancária em dólar.

Avalie quem emite, como as reservas são auditadas e quais são as regras de resgate antes de usá-las. Tratam-se de ativos de risco, mesmo que a volatilidade seja baixa.

Regras, tributação e como pensar no tamanho da posição

O Brasil tem um marco legal para ativos virtuais, e as regras de tributação e de declaração mudam ao longo do tempo. Guarde os registros de todas as operações e confirme as regras vigentes com um contador antes de investir.

Pense em cripto como um ativo de alto risco: se entrar na carteira, deve ser uma parte pequena, de um valor que você aceite perder, e não a base da proteção do patrimônio. A proteção cambial central pode vir de dólar, euro e ativos mais estáveis.

Desconfie de promessas de retornos garantidos e de produtos que usam o nome de proteção cambial para vender cripto. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

Assuntos:criptomoedasbitcoinprotecao-cambialvolatilidadediversificacao

Perguntas frequentes

Bitcoin protege contra a desvalorização do real?

Não de forma confiável. Ele é muito volátil, pode cair junto com ativos de risco e não tem a estabilidade esperada de uma proteção cambial.

O Bitcoin é um ouro digital?

É chamado assim por ter oferta limitada, mas seu histórico de volatilidade é muito maior que o do ouro, que tem uso como reserva de valor há séculos.

O que são stablecoins?

São criptomoedas atreladas ao dólar, que buscam manter o valor de 1 dólar. Têm riscos próprios, como a confiabilidade do emissor e da reserva.

Quanto da carteira pode ir para criptomoedas?

Não há regra única. Por ser ativo de alto risco, costuma ser tratado como fatia pequena, de um valor que você aceite perder.

Preciso declarar criptomoedas no imposto de renda?

Em geral, sim, nos termos das regras vigentes. Guarde os registros das operações e consulte um contador.

Sobre quem escreveu

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Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Hoje Euro

A redação do Hoje Euro analisa tendências do mercado de euro, dólar, macroeconomia e outras moedas.

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