€
Investir em moeda forte do Brasil

Pequeno exportador: como receber em moeda forte

Por Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe1 min de leitura
Navio de carga cheio de contêineres no porto de Hamburgo

Vender para fora traz receita em moeda forte, mas um dólar mais baixo pode engolir a margem. Veja como se proteger.

Vender para clientes de outros países é uma forma de crescer e de receber em moeda forte, mas o câmbio muda a conta: o pequeno exportador tem custos em reais, como matéria-prima, salários e impostos, e receita em dólar ou euro. Quando a moeda estrangeira cai, a margem encolhe.

A resposta direta é: o pequeno exportador pode se proteger definindo o preço com folga cambial, escolhendo a moeda de faturamento, usando contratos de câmbio (como o adiantamento sobre contrato de câmbio, ACC) e equilibrando custos em moeda estrangeira. O primeiro passo é calcular a margem em mais de um cenário de câmbio, para saber até onde o dólar pode cair sem prejuízo.

Por que a queda da moeda estrangeira machuca a margem

Veja um exemplo hipotético. Um produto tem custo de R$ 60 e é vendido por US$ 15. Com o dólar a R$ 5,50, a receita é de R$ 82,50, e a margem é de R$ 22,50, ou 27% da receita.

Se o dólar cair para R$ 4,80, uma queda de cerca de 12,7%, a receita vai para R$ 72, e a margem para R$ 12, uma redução de quase 47% no lucro em reais. Com o dólar a R$ 4,20, a margem seria de apenas R$ 3.

Isso mostra que uma variação moderada do câmbio pode ter efeito desproporcional sobre o lucro, porque o custo em reais não muda. É o chamado efeito alavancagem do câmbio sobre a margem.

Defina o preço e a moeda de faturamento

Uma opção é faturar em reais e deixar o cliente assumir o risco cambial, mas nem sempre é aceito, principalmente por compradores de países desenvolvidos. Outra é faturar em dólar ou euro e embutir no preço uma folga para variações moderadas.

Mulher embalando tênis em uma caixa no seu espaço de trabalho de e-commerce
Quem vende para o exterior tem custos em reais e receita em moeda forte, o que cria risco cambial.

Revise preços periodicamente, com regras claras. Por exemplo, reajustar a tabela quando o câmbio ficar abaixo de um nível de referência por determinado período. Isso evita vender meses a fio com a margem corroída.

Escolha a moeda do contrato considerando a do seu cliente, a que seus custos de insumos usam e a facilidade de converter. Em um comércio com a Europa, faturar em euro pode ser mais natural do que em dólar.

Contratos de câmbio e opções de proteção

Bancos e instituições autorizadas oferecem contratos de câmbio para exportadores. O ACC, por exemplo, antecipa em reais parte do valor da exportação antes do embarque, o que ajuda o caixa e fixa a taxa de parte da operação. Há ainda contratos a termo, que travam a cotação para uma data futura.

Esses instrumentos trazem previsibilidade, mas têm custos, exigem análise e podem levar a perda de oportunidade se o câmbio se mover a favor do exportador. Compare as condições entre instituições e entenda as obrigações antes de assinar.

As regras de câmbio mudam, e o tratamento de operações de exportação depende do produto, do valor e da forma de recebimento. Consulte o banco e um contador especializado em comércio exterior.

Equilibre custos e receitas na mesma moeda

Um hedge natural é ter custos na mesma moeda da receita. Se você importa insumos, embalagens ou serviços em dólar, parte do custo sobe e desce junto com a receita, o que reduz o efeito do câmbio na margem.

Outra prática é manter parte do caixa em moeda estrangeira para pagar fornecedores externos, quando a legislação e o tipo de operação permitem, em vez de converter tudo para reais e comprar de novo depois.

Planeje também o prazo de recebimento. Prazos longos aumentam o risco cambial, e negociar pagamento antecipado ou parcial, quando possível, reduz a exposição.

Impostos, custos de remessa e organização

As exportações de mercadorias costumam ter desoneração de tributos como ICMS, PIS, Cofins e IPI, mas as regras variam por produto e operação. Confirme com seu contador e guarde a documentação de exportação, que sustenta os benefícios.

Considere os custos de receber: tarifas de bancos, taxas de plataformas de pagamento, spread de câmbio e eventuais despesas de intermediários. Eles reduzem o valor líquido e devem entrar no cálculo do preço.

Registre as operações, o câmbio usado e os prazos em uma planilha, e acompanhe a margem real mês a mês. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação profissional de contabilidade e câmbio.

Assuntos:exportacaorisco-cambialpequena-empresacontrato-de-cambiomargem-de-lucro

Perguntas frequentes

Como o câmbio afeta a margem de quem exporta?

Os custos são em reais e a receita em moeda forte, então um dólar mais baixo reduz a receita em reais e pode comprimir ou eliminar a margem.

O que é ACC?

Adiantamento sobre contrato de câmbio, operação em que o banco antecipa em reais parte do valor da exportação antes do embarque.

Vale faturar em reais ou em moeda estrangeira?

Depende do cliente. Faturar em moeda estrangeira costuma ser mais aceito, e exige folga de preço para o risco cambial.

O que é hedge natural?

É equilibrar custos e receitas na mesma moeda, de modo que a variação do câmbio afete os dois lados e reduza o impacto na margem.

Exportação paga imposto?

Em geral há desoneração de ICMS, PIS, Cofins e IPI nas exportações de mercadorias, mas as regras variam. Confirme com um contador.

Sobre quem escreveu

WG

Willian Gonçalves Rios - Economista Chefe

Hoje Euro

A redação do Hoje Euro analisa tendências do mercado de euro, dólar, macroeconomia e outras moedas.

Continue lendo