Custo de manter uma reserva em dólar: o que você paga para entrar e sair

Proteção em moeda forte tem preço. Spread, IOF, tarifas e o rendimento que você deixa de ganhar formam o custo real da reserva em dólar.
Manter parte do patrimônio em dólar é uma forma conhecida de proteção contra a desvalorização do real. Mas essa proteção não é gratuita, e entender o custo ajuda a decidir o tamanho da reserva e a forma de montá-la.
A resposta direta é: o custo de uma reserva em dólar tem três partes. Na entrada, você paga spread e IOF ao converter reais. Durante a manutenção, pode haver tarifas e, principalmente, o custo de oportunidade de deixar de receber os juros do real. Na saída, ao converter de volta, há novo spread. Somadas, essas parcelas podem consumir vários pontos percentuais do valor protegido.
O custo não é motivo para descartar a reserva, mas é motivo para montá-la com cuidado e evitar entrar e sair várias vezes. O tema conversa com o texto sobre dólar não render juros.
Custos na entrada: spread e IOF
O spread é a diferença entre a cotação comercial e a cotação que a instituição cobra de você. Em bancos tradicionais e casas de câmbio pode ser alto, enquanto contas internacionais e corretoras costumam cobrar menos.
O IOF incide sobre a operação de câmbio, e a alíquota depende do tipo de transação, como compra de moeda em espécie, recarga de cartão ou remessa para conta no exterior. As alíquotas já mudaram por decreto, então confira a vigente antes de calcular.
Como esses custos são cobrados sobre o valor convertido, entrar na reserva em várias pequenas operações não aumenta o custo percentual, mas usar canais caros aumenta bastante.
Custos durante a manutenção
Algumas contas e corretoras cobram tarifas de manutenção, custódia ou inatividade. Em reservas pequenas, uma tarifa fixa mensal pode pesar mais que o próprio spread.
O custo menos visível é o de oportunidade. Dólar parado em conta corrente não rende, enquanto o mesmo dinheiro em reais aplicado em renda fixa receberia juros. Em períodos de juros altos no Brasil, essa diferença ao longo de um ano é significativa.
Uma parte desse custo pode ser reduzida com produtos que pagam juros em dólar, mas eles têm riscos e tributação próprios, e mudam a natureza da reserva.
Custos na saída
Quando você precisa usar a reserva em reais, a conversão de volta tem novo spread. Dependendo do canal, também pode haver tarifa de transferência ou IOF.
Se o dólar subiu desde a compra, o ganho cambial pode ter implicações no Imposto de Renda, conforme o tipo de ativo e onde ele está guardado. Moeda em espécie, conta no exterior e aplicações financeiras têm regras diferentes.
Por isso, entrar e sair da reserva com frequência é a forma mais cara de mantê-la. A reserva funciona melhor como posição de longo prazo, desfeita só quando há necessidade real.
Como estimar o custo total
Some os percentuais de entrada e saída: spread de compra, IOF e spread de venda. Esse total é o custo fixo de ida e volta, que você paga mesmo se o dólar ficar parado.
Depois, acrescente o custo anual de oportunidade, que é a diferença entre o que o dinheiro renderia em reais e o que rende em dólar. Multiplique pelo número de anos que pretende manter a reserva.
Com esse número em mãos, fica mais fácil comparar canais e decidir o tamanho da posição. A mesma lógica vale para o euro, como mostra o texto sobre custo de entrar e sair de uma posição em euro. O conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.



